Hoje dia 21 de março: Dia Internacional da Síndrome de Down
https://piripiri40graus.blogspot.com/2017/03/hoje-dia-21-de-marco-dia-internacional.html
Dentre os 365 dias do ano, o “21/03” foi
inteligentemente escolhido porque a Síndrome de Down é uma alteração
genética no cromossomo “21”, que deve ser formado por um par, mas no
caso das pessoas com a síndrome, aparece com “3” exemplares (trissomia).
A ideia surgiu na Down Syndrome Internacional, na pessoa do geneticista
da Universidade de Genebra, Stylianos E. Antonorakis, e foi referendada
pela Organização das Nações Unidas em seu calendário oficial.
Mais interessante ainda que a origem da data, é a sua razão de existir. Afinal, por que comemorar uma síndrome?!
Oficialmente estabelecida em 2006 e
amplamente divulgada, essa data tem por finalidade dar visibilidade ao
tema, reduzindo a origem do preconceito, que é a falta de informação
correta. Em outras palavras, combater o “mito” que teima em transformar
uma diferença num rótulo, numa sociedade cada vez mais sem tempo,
sensibilidade ou paciência para o “diferente”.
A Síndrome de Down foi descoberta em
1862 pelo médico britânico John Langdon Down (que bem podia chamar-se
John Up, pra colaborar…!), e apesar de ainda estarmos em situação muito
distante da ideal, nesse intervalo de 153 anos muitos foram os avanços
no âmbito da ciência e da sociedade, de forma especial nas últimas três
décadas. Basta você observar com os casos da síndrome aparentemente
“aumentaram”. Mas não. É que antigamente as crianças ou adultos com a
síndrome pouco saíam de casa, infelizmente.
Por falar nisso, essa participação
social é uma das questões que a celebração dessa data, já em sua 10ª
edição, visa destacar: a Síndrome de Down não é uma doença, e não
impede, de maneira nenhuma, que o indivíduo tenha uma vida social normal
(se é que esse termo ainda faz algum sentido). E, nessa questão, já se
emenda uma outra, igualmente importante: a inclusão. Felizmente, hoje em
dia, isso é lei, mas muitas pessoas ainda desconhecem: criança com
Síndrome de Down (ou qualquer outra dificuldade de aprendizado) tem que
ser matriculada em escola regular. Isso mesmo, junto com todas as outras
crianças. Essa convivência é extremamente saudável para todos, e a
conduta mais eficiente para o aprendizado pedagógico – que se torna um
pouco mais demorado devido àquele terceiro cromossomo, mas acontece.
Essa data visa chamar a atenção
especialmente das pessoas pouco informadas sobre as capacidades das
pessoas com a Síndrome de Down. Elas possuem tantas outras
características quanto os demais seres humanos, ou seja, a síndrome não
as define. É muito importante que todos saibam (outra tarefa do 21/03)
que cada pessoa com síndrome de Down também tem gostos específicos,
personalidade própria e individual, habilidades e vocações distintas
entre si. Portanto, devem ser evitados os “rótulos” provocados por
expressões do tipo “Ah, como ‘os Downs” são carinhosos!” ou “Eles são
todos tão teimosos, não?!”… Em respeito à individualidade de qualquer
ser humano, esse tipo de generalização não deve ser aplicada a nenhum
grupo, nem a este, por melhor que seja a intenção de quem o faz.
Obviamente o diagnóstico genético
carrega consigo algumas especificidades, como, por exemplo, a
cardiopatia (problemas no coração), presente em aproximadamente 50% dos
casos; às vezes problemas de audição e/ou visão; atraso no
desenvolvimento intelectual e da fala, dentre alguns outros. Mas são
questões pontuais e de saúde, a serem detectadas e tratadas medica e
terapeuticamente, de maneira que não definem qualquer prognóstico, ou
seja, ninguém jamais pode prever até onde pode chegar o desenvolvimento
das pessoas com síndrome de Down – assim como das demais pessoas. Elas
devem ser estimuladas a terem sonhos e projetos, crescerem, estudarem e
trabalharem como qualquer ser humano, e têm todo o direito de lutar pela
sua total autonomia, sem que sua condição genética represente qualquer
tipo de barreira. Ou existe alguém que não possui limitações?!
Na verdade, toda convivência saudável
entre amigos e familiares, colegas e sociedade, de maneira atenta a todo
tipo de diversidade, é sempre muito enriquecedora. O mesmo acontece
quando você tem a oportunidade de conviver com uma pessoa com a Síndrome
de Down. Olhe para ela, e não para a síndrome, e você vai descobrir um
ser humano tão incrível quanto você.
Por Luciana Bettiol, Ativadora da Rede do Movimento Down


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